Certa vez, ao conversar com uma pessoa sobre meu fluxo de trabalho, mencionei que uma das ferramentas que mais utilizo para criar conteúdos educacionais corporativos é o PowerPoint. Não pude deixar de notar a expressão de incredulidade dela.
Afinal, com tantos softwares de design gráfico de ponta disponíveis, por que eu usaria logo um criador de apresentações, que parece ter saído do século passado, como base para uma criação profissional?
A verdade é que a resposta é bem simples e carrega a essência deste artigo: o cliente não se importa com a ferramenta que usamos. O que vale é a entrega.
Ter isso em mente é vital no mercado de trabalho atual, que está em constante movimento. A cada mês, semana ou dia, uma nova tecnologia surge, transformando atividades que antes levavam horas em meros prompts ou cliques feitos em segundos.
A Lição da Inteligência Artificial
Isso ficou cristalino para mim quando comecei a me aprofundar nas LLMs (modelos de linguagem grande) de geração de imagens e vídeos.
Pense no processo para criar um infográfico, por exemplo. Antes, eu tinha todo um caminho manual:
- Estruturar o conteúdo.
- Pesquisar referências e rascunhar ideias.
- Iniciar o Illustrator e começar a criar o design.
- Exportar no formato adequado.
Hoje, um parágrafo bem escrito em qualquer uma destas ferramentas de IA pode gerar resultados tão profissionais (ou até mais) que os meus, e prontos para uso. Meu objetivo aqui é deixar claro que ser adaptável não é uma opção, mas uma questão de sobrevivência.
A Flexibilidade Abre Portas (e Negócios)
Lembra do exemplo do PowerPoint no começo do artigo? Imagine se eu insistisse em usar apenas o Illustrator para montar os cursos corporativos. Neste caso, eu perderia uma boa fonte de renda, pois a plataforma utilizada pela empresa atendida exigia um formato de conteúdo específico – e o PowerPoint possibilitava essa compatibilidade.
Mas, além do aspecto financeiro, adaptar-se a diferentes ferramentas aumenta sua “caixinha de truques”, o que é incrivelmente útil. Digo isso por experiência:
- Se preciso editar um vídeo no Premiere, eu consigo. Mas se for o caso, posso usar o Vegas ou até mesmo o Canva.
- Se o cliente pede um material educacional corporativo, posso entregar em um PDF criado no InDesign ou em um HTML simples escrito à mão.
É por isso que, sempre que alguém interessado na área criativa me pergunta por onde começar, eu respondo: “Comece pela teoria.” Afinal, conceitos como hierarquia, contraste e pregnância valem tanto para um pôster criado no Illustrator quanto para um website prototipado no Figma.
Espero que esta reflexão te ajude a ver que o que faz um bom profissional não é a ferramenta utilizada, mas a capacidade de atender às necessidades dos clientes de forma assertiva.
Até a próxima!